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Vol. 70. Núm. 6.
Páginas 688-689 (01 Novembro 2020)
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Páginas 688-689 (01 Novembro 2020)
Carta ao Editor
DOI: 10.1016/j.bjan.2020.10.005
Open Access
Pandemia COVID‐19: A demanda cria sua própria oferta em programa de residência
COVID‐19 pandemic: demand creates its own supply in a residency program
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Yadolah Zarezadeha, Karim Naserib,
Autor para correspondência
nasseri_k@muk.ac.ir

Autor para correspondência.
a Kurdistan University of Medical Sciences, Faculty of Medicine, Department of Medical Education, Sanandaj, Irã
b Kurdistan University of Medical Sciences, Faculty of Medicine, Department of Anesthesiology, Sanandaj, Irã
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Prezada Editora,

A pandemia de COVID‐19 pôs à prova tanto nossa vulnerabilidade quanto a nossa resiliência em todos os aspectos de vida, inclusive o educacional. Com o anúncio da pandemia de COVID‐19, muitos dos programas educacionais foram afetados de forma negativa, incluindo os programas de residência médica em hospitais de ensino em muitos países. Nosso programa de residência em anestesiologia na Kurdistan University of Medical Science não foi exceção. Com o anúncio dos primeiros casos de COVID‐19 no país, ficamos tão chocados que paramos todas as atividades de ensino, tais como visitas matinais, discussões de artigos científicos, reuniões clínicas semanais e conferências do meio dia. Entretanto, a recuperação é a essência de nossa especialidade. Logo, enquanto departamento acadêmico, nos recuperamos do choque inicial e reestabelecemos nossos programas educacionais ao mesmo tempo em que avaliávamos medidas de segurança.

Já estávamos familiarizados com o conceito e procedimentos de aprendizagem virtual e online. A nova crise COVID‐19 nos fez usar todos os meios que tínhamos à mão para continuar ensino e aprendizagem. Vamos emprestar a frase “a demanda cria sua própria oferta” de Keynes (Greenlaw & Shapiro,1 2017) para explicar a situação. Precisávamos desesperadamente continuar o treinamento de nossos residentes e, ao mesmo tempo, nos mantermos todos seguros, evitando reuniões e mantendo o distanciamento físico. Revisamos nossas atividades e decidimos que um dos programas mais valiosos e indispensáveis era a visita da manhã.

Depois de discutir com nosso colega de pedagogia médica do centro de desenvolvimento educacional da universidade, formamos um grupo interativo no WhatsApp e convidamos todos os residentes, médicos assistentes, internos e ex‐residentes do departamento. Escolhemos o WhatsApp devido à sua popularidade, por estar acessível no Irã, e pela sua capacidade de criar grupos de discussão e comunicação por texto, voz e vídeo.

Os residentes do plantão noturno eram orientados de que deveriam carregar os relatos detalhados de seus pacientes para os assistentes do grupo. Também eram orientados a carregar um ou dois casos de pacientes no grupo virtual para a visita virtual da manhã. Foram enfatizados e mantidos a confidencialidade e o direito dos pacientes de permanecerem sem identificação. Os residentes carregavam a história, exame físico, outros achados clínicos, medidas pré‐ e pós‐operatórias e condutas com os pacientes do plantão noturno anterior à visita da manhã.

Todos os participantes do grupo virtual eram convidados a participar da visita online às 7:45 am. O residente responsável pelo plantão noturno apresentava o caso e conduzia a discussão usando mensagens de texto, voz e vídeo.

Os residentes eram obrigados a apresentar seus casos usando princípios de medicina com base em evidência, principalmente fornecendo informações sobre Paciente, Intervenção, Comparação, Desfecho (PICO, do inglês Patient, Intervention, Comparator, Outcome) e o procedimento utilizado para busca de evidência (Pronovost et al.,2 2001). Nós pedíamos que os residentes esclarecessem a estratégia PICO da seguinte forma:

P – Para introduzir breve história dos Pacientes, incluindo fisiopatologia, história atual e pregressa, preferências, hábitos e estrato socioeconômico, mas mantendo confidencialidade.

I – Para explicar quais Intervenções haviam considerado e porquê.

C – Esclarecer a que alternativa Comparavam sua intervenção escolhida

O – Descrever quais desfechos (Outcomes) esperavam alcançar.

Todos os aspectos suscitavam perguntas e discussões.

Já havíamos treinado nossos residentes em Medicina Baseada em Evidência e eles eram capazes de explicar como converteram suas necessidades de informação em pergunta passível de busca e onde encontraram a melhor evidência disponível.

Entretanto, qualquer programa educacional deve ser avaliado para determinar utilidade e aptidão. Isso se aplica a qualquer método de conduzir visitas matinais. Avaliamos o programa usando o modelo de Kirkpatrick para avaliação de aprendizagem (Kirkpatrick & Kirkpatrick3 2006). O modelo examina e avalia os resultados de programas educacionais em quatro sucessivos níveis de reação, aprendizagem, comportamento e resultados. A avaliação começa com nível um, depois do qual, deve‐se continuar a ordem pelos níveis dois, três e quatro de acordo com as metas e objetivos dos avaliadores. Avaliamos nosso programa nos dois primeiros níveis para entender se os participantes gostaram de sua participação e se acharam o material do programa útil em termos de aprendizagem.

Todos os participantes, inclusive residentes, internos, ex‐alunos e assistentes expressaram satisfação com o conteúdo e o procedimento usando o grupo de WhatsApp durante o dia após cada sessão. Além disso, nas nossas discussões informais com os residentes, eles confirmavam ter aprendido com as visitas virtuais das manhãs e as consideravam tão úteis quanto as visitas presenciais.

Criar e manter uma rede coesa de ex‐alunos é essencial para o sucesso de um departamento. Convidamos nossos ex‐alunos a participar das visitas da manhã de acordo com suas disponibilidades. A participação e comentários criaram uma comunidade de aprendizagem mais ampla e enriqueceram a experiência de aprendizagem de nossos residentes. A interação com os ex‐alunos forneceu alguns benefícios adicionais aos nossos residentes. Como se trata de reunião on‐line, as pessoas podem participar independentemente da localização e do posto que ocupam. Isso aumenta a taxa de participação, o grau de compartilhamento de experiências e, espera‐se, o ritmo de aprendizagem. Como os casos eram carregados horas antes da reunião, os participantes tinham a possibilidade de pesquisar e encontrar as informações de que precisavam e estarem mais preparados para as reuniões. Isso aumentou o número de comentários e a participação nas discussões. Os casos e discussões permaneciam no grupo de WhatsApp para mais comentários e referências.

Uma desvantagem evidente desse tipo de visita matinal é o fato de ser virtual, estando longe da comunicação humana normal e natural que, quando presencial, é enriquecida pelo gestual, linguagem corporal e expressão de mais emoções e o aspecto humano.

Com base nessa experiência concreta, recomendamos esse tipo de visita matinal durante a pandemia de COVID‐19 ou em situações semelhantes como alternativa ou modo complementar de conduzir as visitas quando a situação assim requer.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências
[1]
D.S.S.A. Greenlaw, D. Shapiro.
Principles of Economics 2e.
OpenStax, (2017),
[2]
P.J. Pronovost, S.M. Berenholtz, T. Dorman, W.T. Merritt, E.A. Martinez.
Guyatt GH. Evidence‐based medicine in anesthesiology.
Anesth Analg, 92 (2001), pp. 787-794
[3]
D. Kirkpatrick, J. Kirkpatrick.
Evaluating training programs: The four levels.
Berrett‐Koehler Publishers, (2006),
Copyright © 2020. Sociedade Brasileira de Anestesiologia
Idiomas
Brazilian Journal of Anesthesiology

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