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Vol. 70. Núm. 2.
Páginas 185-186 (01 Março 2020)
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Páginas 185-186 (01 Março 2020)
Carta ao Editor
DOI: 10.1016/j.bjan.2020.04.002
Open Access
Anestesia espinhal em pacientes com COVID‐19, mais pesquisa é necessária
Spinal anesthesia in COVID‐19 patients, more research is needed
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Masoud Hashemia, Mehrdad Taheria, Reza Aminnejada,b,
Autor para correspondência
r.aminnejad@yahoo.com

Autor para correspondência.
a Shahid Beheshti Medical University, Department of Anesthesiology and Critical Care, Tehran, Irã
b Qom University of Medical Sciences, Department of Anesthesiology and Critical Care, Qom, Irã
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Prezada Editora,

Não faz muito tempo desde que a pandemia começou a abalar todo o mundo. No mesmo curto período de tempo, algumas diretrizes abrangentes foram passadas aos prestadores de saúde, particularmente anestesistas, sobre o atendimento do paciente no surto de COVID‐19.1,2 Bloqueios neuroaxiais podem ser considerados métodos preferenciais de anestesia na presença de riscos para doenças respiratórias. Existem poucos relatos recentes úteis publicados que se concentrem na segurança da anestesia neuraxial em pacientes com COVID‐19.3 Se por um lado a anestesia raquidiana tem algumas vantagens em pacientes com COVID‐19, há elementos a serem considerados na escolha da técnica anestésica que necessitam de mais estudos:

  • 1.

    Na Síndrome Respiratória Aguda Grave não é incomum o distúrbio da coagulação associado a pacientes infectados com Coronavírus 2 (SARS‐CoV‐2).4,5 Embora o status de hipercoagulação seja mais comum nesses pacientes, tanto a natureza desconhecida dessa doença quanto os medicamentos que o paciente está recebendo fazem necessário avaliar o estado de coagulação pré‐operatório do paciente, especialmente quando a anestesia raquidiana será realizada.

  • 2.

    O envolvimento do miocárdio pode tornar a anestesia desafiadora. Vários pacientes com COVID‐19 têm doença cardiovascular de base e desenvolvem lesão cardíaca aguda à medida que a doença progride. As consequências potenciais da doença no longo prazo são outra questão preocupante que podem ser problemáticas no futuro.6,7 Portanto, atenção especial à condição cardíaca do paciente antes da anestesia raquidiana é de particular importância para que medidas apropriadas possam ser tomadas para manter a estabilidade hemodinâmica do paciente e evitar hipotensão indesejada.

  • 3.

    A disseminação da SARS‐CoV‐2 para o sistema nervoso central pode levantar questões sobre a segurança da anestesia raquidiana.8,9 O mecanismo de disseminação viral para o sistema nervoso central ainda não está completamente esclarecido. Encefalite viral, encefalopatia tóxica infecciosa e eventos cerebrovasculares agudos são três alterações do sistema nervoso central relacionado a infecções por coronavírus. Talvez sintomas neurológicos como cefaleia, alteração do estado de consciência, parestesia e outros sinais patológicos observados no COVID‐198 interfiram na avaliação de bloqueio após anestesia raquidiana.

  • 4.

    Deve‐se prestar atenção especial à avaliação das vias aéreas antes de realizar qualquer anestesia regional. Se o paciente com COVID‐19 for considerado um caso de via aérea difícil, é recomendável ter todos os dispositivos de via aérea difícil prontos para que, se a anestesia regional falhar e a anestesia geral tiver que ser realizada, o gerenciamento das vias aéreas não ocorra em situação de emergência, o que aumentaria o risco de transmissão do vírus para a equipe na sala de cirurgia.

  • 5.

    Os pacientes com COVID‐19 são mais ansiosos do que outros pacientes cirúrgicos ao entrar na sala de cirurgia.10 A administração de ansiolítico como midazolam como medicamento pré‐anestésico nesses pacientes não é apenas uma sugestão, mas uma forte recomendação.

Por fim, o mais importante no gerenciamento da anestesia é estabelecer um equilíbrio entre custos (desvantagens) e benefícios. Sem dúvida, manter‐se afastado das vias aéreas do paciente é importante para a proteção dos profissionais de saúde, mas a distância das vias aéreas não pode ser usada como base para o manejo anestésico. Apesar de todas as dúvidas mencionadas sobre a segurança da anestesia raquidiana em pacientes com COVID‐19, se todas as considerações acima forem levadas em conta, a anestesia raquidiana ainda pode ser um dos métodos recomendados para reduzir o risco de infectar a equipe da sala de cirurgia. Em outras palavras, as contra‐indicações relativas e absolutas para anestesia raquidiana são exatamente as mesmas para pacientes com COVID‐19 e sem COVID‐19. Portanto, pacientes hemodinamicamente instáveis, pacientes com dificuldade respiratória grave ou com coagulopatia, por exemplo, não são bons candidatos a serem submetidos à anestesia raquidiana.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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Using psychoneuroimmunity against COVID‐19.
Copyright © 2020. Sociedade Brasileira de Anestesiologia
Idiomas
Brazilian Journal of Anesthesiology

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