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Vol. 69. Núm. 5.
Páginas 461-468 (01 Setembro 2019)
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Vol. 69. Núm. 5.
Páginas 461-468 (01 Setembro 2019)
Artigo Científico
DOI: 10.1016/j.bjan.2019.06.006
Open Access
Eventos adversos em anestesiologia: análise por meio da ferramenta Logbook usada por médicos em especialização no Brasil
Adverse events in anesthesiology: analysis based on the Logbook tool used by specializing physicians in Brazil
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Ana Luiza Braz Pavãoa, Sergio Mattosb,c,
Autor para correspondência
diretoria@sba.com.br

Autor para correspondência.
, Enis Silvab, Josué Laguardiab, Vanessa Doellingera, Erick Curib, Tolomeu Casalib, Augusto Takaschimab, Armando Almeidab, Marcos Albuquerqueb, Rogean Nunesb
a Fundação Oswaldo Cruz, Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (RECHS), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
b Sociedade Brasileira de Anestesiologia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
c Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
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Tabela 1. Características gerais dos procedimentos anestésicos – Brasil, 2014 a 2015
Tabela 2. Local, momento da ocorrência, tempo e método de detecção das complicações ocorridas nos procedimentos anestésicos – Brasil, 2014 a 2015
Tabela 3. Tipos de complicações, segundo grupo de especialidades das complicações ocorridas nos procedimentos anestésicos– Brasil, 2014 a 2015
Tabela 4. Tipos de complicações, segundo a evitabilidade, ocorridas nos procedimentos anestésicos – Brasil, 2014 a 2015
Tabela 5. Tipos de complicações, segundo a evitabilidade, dos óbitos ocorridos nos procedimentos anestésicos – Brasil, 2014 a 2015
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Resumo

O Logbook é uma ferramenta digital, lançada pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia em 2014 e empregada desde então. Essa ferramenta permite, aos médicos em especialização em anestesiologia, o registro e o armazenamento das atividades executadas durante o período de treinamento. Isto possibilitou a análise descritiva de um extenso banco de dados dos procedimentos anestésicos, bem como das complicações ocorridas, relatadas por esses médicos. O presente estudo compreende a revisão desses dados num período de dois anos (2014‐2015).

Palavras‐chave:
Anestesiologia
Complicações
Eventos adversos
Logbook
Médicos em especialização
Sociedade Brasileira de Anestesiologia
Abstract

Logbook is a digital tool launched by the Brazilian Society of Anesthesiology in 2014 and has since been used. This tool allows physicians specializing in anesthesiology to record and store activities performed during the training period. This enabled a descriptive analysis of an extensive database of anesthetic procedures, as well as complications that occurred and were reported by these doctors. The present study includes the review of these data over a period of 2 years (2014‐2015).

Keywords:
Anesthesiology
Complications
Adverse events
Logbook
Physicians in specialization training
Brazilian Society of Anesthesiology
Texto Completo
Introdução

Segurança do Paciente, segundo classificação internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS),1 é a redução a um mínimo aceitável do risco de dano desnecessário associado ao cuidado de saúde. Um dos desfechos frequentemente analisados em estudos ligados a essa temática é a ocorrência de eventos adversos. Segundo a terminologia criada pela Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, da OMS, evento adverso é o dano ao paciente que esteve associado ao cuidado de saúde, ou, mais precisamente, é o incidente com dano, classificado como o evento ou a circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente. Estudo conduzido na Espanha (Ibeas), que estimou a prevalência de eventos adversos ocorridos no ambiente hospitalar de diversas instituições em cinco países da América Latina, usou como definição de evento adverso: “evento que causou dano ao paciente e que esteve mais associado ao cuidado de saúde do que à doença de base do indivíduo”.2

Nos últimos anos, maior destaque tem sido dado a iniciativas em prol da segurança do paciente em anestesiologia, tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento. A Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) é signatária da Declaração de Helsinque desde 2006, que prevê uma série de ações voltadas para a segurança do paciente e estruturou vários projetos que tem contribuído para a redução de eventos adversos em anestesia. Em 2017, foi aprovada legislação do Conselho Federal de Medicina n° 2174 dirigida à anestesiologia, que revogou a resolução anterior (2006) e que teve como objetivo, entre outros, aumentar a segurança do ato anestésico.3 Em 2013, o Ministério da Saúde publicou a Portaria n° 529, de 2013, que instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente. Segundo a portaria, uma das competências de seu comitê de implantação é a proposição e validação de protocolos, guias e manuais, voltados para a segurança do paciente em procedimentos cirúrgicos e de anestesiologia.4

A literatura sobre eventos adversos em anestesiologia mostra uma tendência de redução da ocorrência de complicações associadas à anestesia e diminuição da mortalidade perioperatória. Uma revisão sistemática, que avaliou a mortalidade perioperatória de pacientes submetidos à anestesia geral, demonstrou uma redução no risco de mortalidade perioperatória e mortalidade relacionada à anestesia nos últimos 50 anos, principalmente em países desenvolvidos,5 o que foi corroborado por outros estudos mais recentes, inclusive um feito no Brasil.6,7 Estudos que avaliaram a mortalidade durante a anestesia são relativamente mais comuns na literatura, diferentemente de estudos que tenham avaliado a incidência de diferentes tipos de complicações, como a ocorrência de parada cardíaca, tanto em âmbito nacional como internacional.8 Estudos de avaliação da magnitude dos eventos adversos relacionados à anestesiologia no Brasil ainda são escassos e, em sua maioria, são revisões de estudos já publicados ou estudos conduzidos em hospitais de ensino, que têm particularidades em relação aos demais hospitais.6–13

O diário de bordo (Logbook) é uma coleção de objetivos de aprendizagem e informações adicionais acerca de um período educacional específico e seu uso, da graduação à pós‐graduação, em vários formatos, ocorre em diversas partes do mundo.14 A opção por diferentes meios para o registro e armazenamento dos dados das atividades durante o treinamento implica vantagens e desvantagens, seja pelo custo, tempo de preenchimento, facilidade de transporte e conhecimentos técnicos específicos ou pela capacidade de compartilhamento e segurança dos dados.15 No Reino Unido, o uso do Logbook em meio digital nas atividades educativas em anestesiologia tem origem na década de 1990.16 O Logbook tem como objetivos o registro da aquisição de competências e o nível de independência que foram alcançados pelo aluno durante o processo de treinamento, além de auxiliar os treinandos e seus supervisores a identificar os objetivos de aprendizagem, verificar sua completitude e avaliar os resultados.17 Esses autores sugerem ainda que o Logbook digital padronizado, se atualizado periodicamente, poderia servir como uma cédula de identidade profissional usada ao longo da carreira médica e possibilitar a integração do médico aos sistemas de saúde de outros países.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Anestesiologia lançou a primeira versão do Logbook digital. Esse sistema foi concebido para avaliar a formação e a prática dos médicos em especialização, permite o registro e o acompanhamento dos procedimentos anestésicos feitos por cada profissional, constitui‐se em um instrumento de apoio educacional.18 Para a obtenção do título de especialista e aprovação entre os anos de formação da especialização, é requerido do médico em especialização o preenchimento do Logbook com, no mínimo, 440 procedimentos anestésicos a cada ano de formação, além de alimentar periodicamente esse registro na área interna do site da sociedade. O Logbook permitiu a criação de um banco de dados expressivo com registros de procedimentos anestésicos feitos em hospitais públicos e privados no Brasil, que contém informações, entre outras, relacionadas às características dos procedimentos anestésicos feitos e à ocorrência de complicações. O objetivo do presente estudo é analisar os dados, a partir da ferramenta Logbook, sobre os procedimentos anestésicos e suas complicações, tem como perspectiva os conceitos relacionados à segurança do paciente.

Metodologia

Estudo observacional retrospectivo. Foram avaliadas as informações relativas a 1.621.241 procedimentos anestésicos, reunidas em banco de dados, a partir da ferramenta Logbook, para o período de 2014 e 2015, coletadas por médicos em especialização, vinculados à Sociedade Brasileira de Anestesiologia, em hospitais públicos e privados de diversas regiões do Brasil.

Para permitir uma análise descritiva das informações contidas no banco de dados proveniente do uso da ferramenta Logbook e para permitir a comparabilidade com outros estudos já publicados sobre a magnitude das complicações em anestesiologia, os principais dados analisados foram o total de complicações relatadas no período, o total de complicações atribuídas à anestesia (eventos adversos), o total de eventos considerados evitáveis e o número de óbitos. Também foram analisadas a incidência de complicações no período perioperatório, como a parada cardíaca e a via aérea difícil, e as variáveis potencialmente associadas à ocorrência das complicações, como: o tempo de detecção das complicações; o método de detecção; a especialidade em que o procedimento anestésico foi feito; a técnica anestésica usada; o porte da cirurgia; o regime de internação; o regime de atendimento do paciente; a ocorrência de visita pré‐anestésica; a idade, o sexo e risco ASA do paciente; e a existência de comorbidades prévias.

A incidência geral de complicações foi calculada pelo número de complicações (numerador), dividido pelo número total de anestesias feitas durante o período do estudo (denominador). A incidência de eventos adversos em anestesia foi calculada pelo número de complicações atribuídas à anestesia (numerador), dividido pelo número total de anestesias feitas durante o período do estudo (denominador). O resultado foi apresentado na forma de taxa por 10.000 anestesias, com os respectivos intervalos de confiança de 95% (95% IC).

Levando‐se em consideração a classificação da OMS e a nomenclatura usada no estudo Ibeas,1,2 classificou‐se como evento adverso, no presente estudo, a complicação descrita no banco em que o médico atribuiu nexo causal com a anestesia, partiu‐se de dois pressupostos: se foi descrita uma complicação, é porque houve o dano; e se o médico que preencheu a informação no Logbook atribuiu o nexo causal com a anestesia, é porque o evento esteve mais relacionado ao cuidado recebido (procedimento anestésico) do que à doença de base ou a alguma condição clínica do paciente.

De um modo geral, nas análises, optou‐se por agrupar as complicações: Via aérea difícil não reconhecida, Extubação acidental e Reintubação não planejada em uma única categoria por estarem relacionadas a problemas com a via aérea dos pacientes. Em alguns casos, optou‐se por analisar separadamente os seguintes grupos de especialidades: área remota, centro cirúrgico e obstetrícia, por se entender que tais especialidades abrangem diferentes perfis de pacientes, com tipos de complicação distintos.

Para as variáveis local, momento da ocorrência, tempo e método de detecção das complicações, foram calculadas proporções e os respectivos intervalos de confiança de 95%. Para a análise das complicações segundo grupo de especialidades e segundo a evitabilidade do evento (segundo o tipo de complicação e no caso dos óbitos), foi usado o teste qui‐quadrado de Pearson, nos casos que atendiam as premissas para a aplicação do teste.9,19 Foi considerado um nível de significância de 5%. O programa estatístico usado para as análises foi o SPSS versão 22.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Escola Politécnica Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz (n° 60761516.1.0000.5241, de 24/10/16).

Resultados

Dos 1.621.241 procedimentos anestésicos feitos, foram relatadas 1.414 complicações, com uma incidência de 8,72 complicações por 10.000 procedimentos anestésicos (95% IC: 8,27–9,19). Das 1.414 complicações, 445 eram eventos adversos (31,5%; 95% IC: 29,1–34,0), ou seja, complicações atribuídas ao procedimento anestésico pelos médicos que preencheram o Logbook, o que compõe uma incidência de eventos adversos em anestesia de 2,74 eventos por 10.000 procedimentos anestésicos (95% IC: 2,49–3,01). Na amostra analisada, foi registrada a ocorrência de 455 óbitos, deu‐se uma incidência de 2,81 óbitos por 10.000 procedimentos (95% IC: 2,55–3,08).

Na tabela 1, é possível ter uma análise descritiva dos procedimentos anestésicos contidos no Logbook. Nela se observa que a maioria dos pacientes é do sexo feminino (55,5%), está entre 18 e 65 anos (69,4%), foi submetida à anestesia geral/sedação (54,1%) e tem o estado físico ASA I (45,3%), além de não ter comorbidades (53%). Observa‐se que 76,3% dos procedimentos foram feitos em regime eletivo e com o paciente internado (80,9%). Entre os procedimentos, 74,1% tiveram visita pré‐anestésica e 80,9% foram feitos em centro cirúrgico.

Tabela 1.

Características gerais dos procedimentos anestésicos – Brasil, 2014 a 2015

Variável 
Sexo do paciente
Feminino  899.631  55,49 
Masculino  721.545  44,51 
Total  1.621.176  100,00 
Faixa etária
Neonato (até 30 dias)  6.537  0,40 
Lactente (30 dias – 2 anos)  33.416  2,06 
Criança (2 – 12 anos)  139.203  8,59 
Adolescente (12 – 18 anos)  75.938  4,68 
Adulto (18 – 65 anos)  1.125.580  69,43 
Idoso (65 – 85 anos)  225.395  13,90 
Frágil (acima de 85 anos)  15.112  0,93 
Total  1.621.181  100,00 
Técnica anestésica
Anestesia combinada geral e regional  171.570  10,58 
Anestesia geral/sedação  876.957  54,10 
Anestesia regional  572.576  35,32 
Total  1.621.103  100,00 
Estado físico ASA
732.972  45,21 
II  647.283  39,93 
III  202.776  12,51 
IV  34.778  2,15 
2.607  0,16 
VI  707  0,04 
Total  1.621.123  100,00 
Possuem a seguinte morbidade
Doença renal  34.514  2,13 
Doença cardíaca  304.888  18,81 
Doença gastrointestinal  48.380  2,98 
Doença hepática  14.416  0,89 
Doença pulmonar  64.267  3,96 
Doença no sistema nervoso central  45.188  2,79 
Multissistêmica  294.144  18,14 
Outras doenças  194.485  12,00 
Regime de atendimento
Eletivo  1.236.533  76,28 
Urgência ou emergência  384.596  23,72 
Total  1.621.129  100,00 
Regime de internação
Ambulatorial  309.640  19,10 
Internado  1.311.483  80,90 
Total  1.621.123  100,00 
Visita pré‐anestésica
Sim  1.200.497  74,05 
Não  420.644  25,95 
Total  1.621.141  100,00 
Local
Dor  9.638  0,59 
Área remota  107.341  6,62 
Centro cirúrgico  1.310.498  80,83 
Obstetrícia  193.657  11,94 
Não informado  107  0,01 
Total  1.621.241  100,00 

Nota: Foram excluídos os dados em branco (missingdata).

Na tabela 2, observa‐se que a sala operatória foi o local em que as complicações ocorreram com mais frequência (79,3%). Os momentos de ocorrência mais frequentes foram: manutenção da anestesia (34,5%) e durante indução anestésica (21,5%). A maior parte das complicações foi detectada com grande rapidez (66,5% dos casos com menos de um minuto e 17% com menos de cinco minutos). Os métodos de detecção das complicações – checagem e monitores – representaram quase a totalidade dos casos (96,8%).

Tabela 2.

Local, momento da ocorrência, tempo e método de detecção das complicações ocorridas nos procedimentos anestésicos – Brasil, 2014 a 2015

Variável  95% IC 
Local da ocorrência
Sala operatória  1.120  79,21  (77,09–81,32) 
Sala de indução  77  5,45  (4,26–6,63) 
Sala de RPA  88  6,22  (4,96–7,48) 
Fora do centro cirúrgico  129  9,12  (7,62–10,62) 
Total  1.414  100,00   
Momento da ocorrência
Após medicação pré‐anestésica  15  1,06  (0,53–1,59) 
Antes da indução anestésica  78  5,52  (4,33–6,71) 
Durante indução anestésica  304  21,50  (19,36–23,64) 
Até 12 horas após a indução da anestesia  251  17,75  (15,76–19,74) 
12 – 24 horas após a indução da anestesia  79  5,59  (4,39–6,78) 
24 – 48 horas após a indução da anestesia  26  1,84  (1,14–2,54) 
Acima de 48 horas após a indução da anestesia  10  0,71  (0,27–1,14) 
Na manutenção da anestesia  489  34,58  (32,1–37,06) 
Durante o despertar  162  11,46  (9,8–13,12) 
Total  1.414  100,00   
Tempo de detecção
< 1 minuto  939  66,41  (63,95–68,87) 
1 – 5 minutos  241  17,04  (15,08–19) 
5 minutos – 1 hora  120  8,49  (7,03–9,94) 
1 – 12 horas  68  4,81  (3,69–5,92) 
12 – 24 horas  27  1,91  (1,2–2,62) 
24 – 48 horas  12  0,85  (0,37–1,33) 
Acima de 48 horas  0,50  (0,13–0,86) 
Total  1.414  100,00   
Método de detecção
Checagem  707  50,00  (47,39–52,61) 
Monitores  662  46,82  (44,22–49,42) 
Detecção casual  45  3,18  (2,27–4,1) 
Total  1.414  100,00   

A análise da tabela 3 revelou que as complicações Parada cardíaca no período perioperatório, Via aérea difícil não reconhecida/Extubação acidental/Reintubação não planejada e outras representaram quase a totalidade das ocorrências no centro cirúrgico, área remota e obstetrícia (86,9%), para os três grupos de especialidades. Parada cardíaca no período perioperatório obteve a maior representatividade (55,1%) na área remota, decresceu para 28% (2ª posição) no centro cirúrgico e 17,4% (2ª posição) em obstetrícia. A complicação Via aérea difícil não reconhecida/Extubação acidental/Reintubação não planejada foi mais presente no centro cirúrgico (21%). A categoria de Outras complicações alcançou expressiva representatividade (67,4%) em obstetrícia e também obteve o maior percentual (37,3%) no centro cirúrgico.

Tabela 3.

Tipos de complicações, segundo grupo de especialidades das complicações ocorridas nos procedimentos anestésicos– Brasil, 2014 a 2015

  Área remotaCentro cirúrgicoObstetríciaTotal
Complicações 
Outrosa  16  23,2%  481  37,3%  31  67,4%  528  37,6% 
Parada cardíaca no período perioperatório  38  55,1%  361  28,0%  17,4%  407  29,0% 
Via aérea difícil não reconhecida/ Extubação acidental/ Reintubação não planejada  10  14,5%  270  21,0%  8,7%  284  20,2% 
Aspiração pulmonar perioperatória  2,9%  55  4,3%  0,0%  57  4,1% 
Infarto agudo miocárdico no perioperatório  2,9%  55  4,3%  0,0%  57  4,1% 
Admissão à UTI/Semi‐intensiva não planejada (causa anestésica)  1,40%  48  3,7%  6,50%  52  3,7% 
Complicação de sistema nervoso central perioperatória (AVC/Coma)  0,0%  14  1,1%  0,0%  14  1,0% 
Hipertermia maligna  0,0%  0,3%  0,0%  0,3% 
Total  69  100,0%  1288  100,0%  46  100,0%  1403  100,0% 

Nota: Foi excluída uma complicação na especialidade dor.

a

Anafilaxia, Anestesia errada (local/técnica), Bloqueio espinhal alto acidental, Cefaleia pós‐punção dural, Cirurgia errada (local/procedimento), Complicação decorrente de acesso vascular, Consciência intraoperatória, Déficit neurológico periférico perioperatório, Dor com controle inadequado, Extubação acidental, Hipotermia acidental, Náuseas/Vômitos de difícil controle, Ocorrência relacionada a medicamentos (erro dispensação/administração), Perda/Déficit visual após anestesia, Queixa técnica (medicamentos/materiais/equipamentos), Reação transfusional perioperatória, Reintubação não planejada, Toxicidade por anestésico local, Trauma dentário, Dificuldades na intubação do paciente, Óbito no período perioperatório.

Entre os eventos evitáveis (tabela 4), os maiores percentuais foram verificados para as complicações Via aérea difícil não reconhecida/Extubação acidental/Reintubação não planejada e outras. Somados, alcançaram 78,1% dos casos. Essas duas complicações também apareceram com destaque entre os eventos não evitáveis. As complicações Via aérea difícil não reconhecida/Extubação acidental/ Reintubação não planejada tiveram sua representatividade bastante diminuída (15,6%), enquanto a categoria Outras complicações apresentou uma leve queda (37,1%). Também merece destaque a expressiva participação (34,1%) da complicação Parada cardíaca no período perioperatório entre os eventos não evitáveis. O teste qui‐quadrado mostrou que existe diferença estatisticamente significante entre os eventos evitáveis e não evitáveis, segundo os tipos de complicação (p < 0,001).

Tabela 4.

Tipos de complicações, segundo a evitabilidade, ocorridas nos procedimentos anestésicos – Brasil, 2014 a 2015

  Evento evitável?
  SimNãoTotal
Complicações 
Outrosa  114  40,0%  415  37,1%  529  37,6% 
Parada cardíaca no período perioperatório  25  8,8%  382  34,1%  407  29,0% 
Via aérea difícil não reconhecida/Extubação acidental/Reintubação não planejada  109  38,1%  175  15,6%  284  20,2% 
Aspiração pulmonar perioperatória  18  6,3%  39  3,5%  57  4,1% 
Infarto agudo miocárdico no perioperatório  3,2%  48  4,3%  57  4,1% 
Admissão à UTI/Semi‐intensiva não planejada (causa anestésica)  2,5%  45  4,0%  52  3,7% 
Complicação de sistema nervoso central perioperatória (AVC/Coma)  0,7%  12  1,1%  14  1,0% 
Hipertermia maligna  0,4%  0,3%  0,3% 
Total  285  100,0%  1119  100,0%  1404  100,0% 

p‐valor < 0,001 (Teste de qui‐quadrado).

a

Anafilaxia, Anestesia errada (local/técnica), Bloqueio espinhal alto acidental, Cefaleia pós‐punção dural, Cirurgia errada (local/procedimento), Complicação decorrente de acesso vascular, Consciência intraoperatória, Déficit neurológico periférico perioperatório, Dor com controle inadequado, Extubação acidental, Hipotermia acidental, Náuseas/Vômitos de difícil controle, Ocorrência relacionada a medicamentos (erro dispensação/administração), Perda/Déficit visual após anestesia, Queixa técnica (medicamentos/materiais/equipamentos), Reação transfusional perioperatória, Reintubação não planejada, Toxicidade por anestésico local, Trauma dentário, Dificuldades na intubação do paciente, Óbito no período perioperatório.

Entre as complicações, nos casos em que o desfecho foi óbito, listadas na tabela 5, praticamente só existiram respostas para Parada cardíaca no período perioperatório e outras complicações, que juntas obtiveram mais de 90% dos casos. Tais complicações se destacaram tanto entre os eventos evitáveis (30,8% e 53,8% respectivamente) como também entre os eventos não evitáveis (35,3% e 56,1%, respectivamente).

Tabela 5.

Tipos de complicações, segundo a evitabilidade, dos óbitos ocorridos nos procedimentos anestésicos – Brasil, 2014 a 2015

  Evento evitável?
  SimNãoTotal
Complicações 
Admissão à UTI/Semi‐intensiva não planejada (causa anestésica)  0,0%  1,4%  1,3% 
Aspiração pulmonar perioperatória  7,7%  2,1%  10  2,2% 
Complicação de sistema nervoso central perioperatória (AVC/Coma)  7,7%  0,5%  0,7% 
Infarto agudo miocárdico no perioperatório  0,0%  13  3,0%  13  2,9% 
Parada cardíaca no período perioperatório  30,8%  155  35,3%  159  35,2% 
Via aérea difícil não reconhecida/Extubação acidental/Reintubação não planejada  0,0%  1,6%  1,5% 
Outrosa  53,8%  247  56,1%  254  56,2% 
Total  13  100,0%  439  100,0%  452  100,0% 
a

Anafilaxia, Anestesia errada (local/técnica), Bloqueio espinhal alto acidental, Cefaleia pós‐punção dural, Cirurgia errada (local/procedimento), Complicação decorrente de acesso vascular, Consciência intraoperatória, Déficit neurológico periférico perioperatório, Dor com controle inadequado, Extubação acidental, Hipotermia acidental, Náuseas/Vômitos de difícil controle, Ocorrência relacionada a medicamentos (erro dispensação/administração), Perda/Déficit visual após anestesia, Queixa técnica (medicamentos/materiais/equipamentos), Reação transfusional perioperatória, Reintubação não planejada, Toxicidade por anestésico local, Trauma dentário, Dificuldades na intubação do paciente, Óbito no período perioperatório.

Discussão

A identificação dos riscos e os métodos para avaliação da ocorrência de eventos adversos associados aos procedimentos anestésicos têm sido apontados há mais de três décadas.20 Dados de morbidade e mortalidade relacionados à anestesia mostram diminuição ao longo dos anos,9,21 embora a ocorrência de eventos adversos com pequena ou moderada morbidade ainda seja alta.22 Esses autores assinalam que dados mais recentes de prevalência de paradas cardíacas e danos cerebrais têm, respectivamente, valores entre 0,8–3,3 e 0,15–0,9 por 10.000 procedimentos anestésicos. As estimativas de mortalidade estão em torno de 1 para 100.000 casos em pacientes ASA I e II e de 5,4 mortes por milhão de anestesias gerais resultantes de complicações no manejo das vias aéreas.23 A ocorrência de complicações é devida a uma conjunção de fatores que envolvem treinamento e experiência inadequados, ambiente de trabalho desafiador, debilidades na atuação da atuação em equipe, estresse e fadiga, mas a maioria das complicações é multifatorial e raramente é devida a um único fator.24 A via aérea difícil corresponde a 37% dos eventos respiratórios, é mais provável de ocorrer fora do centro cirúrgico e, quando se dá nesse local, 67% dos casos acontecem durante a indução da anestesia.25

Os achados do presente estudo mostram que a maioria dos procedimentos foi feita em pacientes adultos (69,4%), do sexo feminino (55,5%), com escores ASA I e II (85,1%), com o uso de analgesia geral/sedação ou regional (89,4%), em cirurgias eletivas (76,3%), o que é compatível com a exposição aos casos e técnicas esperadas na formação desses profissionais.

Ressalta‐se que este foi o primeiro estudo conduzido no Brasil que avaliou uma amostra de mais de um milhão de anestesias, feitas em hospitais públicos e privados de diversas regiões brasileiras. Foram analisados diversos tipos de complicação, como parada cardiorrespiratória, via aérea difícil e infarto agudo do miocárdio, importantes desfechos em anestesiologia, considerou‐se a sua ocorrência segundo grupos de especialidades e segundo a evitabilidade. No presente estudo, as incidências encontradas para os desfechos parada cardíaca e óbito foram bem menores do que as taxas encontradas na literatura.6–13 Houve 407 casos de parada cardíaca nos 1.621.241 procedimentos anestésicos, o que dá uma incidência de 2,51 casos por 10.000 anestesias, para o período de dois anos (2014–2015). Ainda que tenha havido uma diminuição na incidência desse desfecho nos últimos 25 anos, a incidência de 2,5 para o período de dois anos ainda está bem abaixo da incidência de 13 por 10.000, para 2007, observada em estudo prévio.6 Essa diferença pode ser explicada principalmente por dois fatores. Em primeiro lugar, pelo contínuo avanço das técnicas anestésicas e da segurança relacionada ao procedimento anestésico, em anos mais recentes. Em segundo lugar, é importante salientar as peculiaridades relacionadas ao preenchimento do Logbook. O preenchimento dos dados nessa plataforma deveria ser feito até o último dia do mês subsequente à data do procedimento. Após essa data, o sistema ficava bloqueado para entrada dos dados. O prazo final para o preenchimento do Logbook pelo médico em especialização coincidia com a data registrada para o término do período de especialização de cada médico.

Acredita‐se que essa possibilidade de o procedimento e suas complicações serem registrados retroativamente pelo médico possa ter contribuído substancialmente para a subnotificação desses eventos por dois aspectos principais: pelo viés de memória, relacionado ao esquecimento ou à perda de informações importantes sobre o caso devido à passagem do tempo; e pela cultura do medo, que ainda existe entre os profissionais de saúde, apesar dos esforços dos últimos anos, desde a publicação da Portaria de 2013 do Ministério da Saúde, sobre o Programa Nacional de Segurança do Paciente, no sentido de se buscar o evento adverso não para punir os envolvidos, mas, sobretudo, para aprender com essas ocorrências a agir preventivamente no futuro. Ademais, soma‐se a isso o fato de esses dados terem sido preenchidos por profissionais em especialização, o que pode ter contribuído para a subnotificação das complicações. A subnotificação também foi observada para a incidência de óbitos.

O estudo também permitiu observar dados importantes com relação ao local mais frequente de ocorrência das complicações – sala operatória (79,3%) – e os momentos de ocorrência mais frequentes, durante a manutenção e a indução anestésica (56%). Um estudo sobre eventos adversos cirúrgicos em hospitais do Rio de Janeiro também demonstrou que o local mais frequente de ocorrência desses eventos foi o centro cirúrgico (78,1% dos casos).26 Identificar os momentos em que as complicações ocorrem com mais frequência é importante para sinalizar áreas potenciais de melhoria.

Os tipos de complicações mais frequentemente observados no estudo (87% dos casos) foram: parada cardíaca no período perioperatório, problemas relacionados à via aérea (via aérea difícil/extubação acidental/reintubação planejada) e outras complicações. Na análise dos resultados do teste para registro de procedimentos anestésicos em assistente digital pessoal (PDA), na Austrália e Nova Zelândia, Bent et al. (2002) identificaram uma taxa de incidentes graves de 2,5%, metade desses eventos estava relacionada à via aérea e 40% eram cardiovasculares.27

Quando comparamos o percentual de complicações evitáveis e óbitos evitáveis, segundo o tipo de complicações, podemos perceber que houve mais óbitos evitáveis relacionados à parada cardíaca. Em relação à via aérea difícil, apesar de ter sido uma das complicações com maior percentual de evitabilidade, não foram registrados óbitos evitáveis associados a essa complicação. No entanto, devemos analisar os dados com cuidado, devido às limitações já descritas relacionadas ao preenchimento do Logbook, e também à natureza subjetiva da avaliação de evitabilidade, e ao fato de não ter sido usada a escala de seis pontos de avaliação da evitabilidade, comumente usada em estudos de avaliação de eventos adversos.2

O Logbook tem sido adotado para acompanhar a formação de anestesistas em alguns países, permite obter informações úteis acerca da exposição, treinamento e experiência nas subespecialidades da anestesiologia.28–30 Entretanto, como assinala Nixon (2000),29 o uso isolado do número de casos é um indicador limitado para avaliação de competência, mas o uso do Logbook pode servir como ferramenta para medir a competência quando se incluem o nível de supervisão, a complexidade dos casos e a taxa de complicações na sua análise.29 O registro de eventos adversos durante a anestesia e o retorno dessa informação à equipe clínica levou a um decréscimo significativo nas taxas desses eventos,31 sinalizou para um possível uso dos dados do Logbook para o monitoramento e avaliação dos procedimentos anestésicos perioperatórios.

O presente estudo possibilitou a análise descritiva de um extenso banco de dados dos procedimentos anestésicos e suas complicações, é o primeiro dessa magnitude conduzido no país que usou a ferramenta Logbook. Assim, os dados obtidos devem ser avaliados considerando as particularidades envolvidas com o seu preenchimento.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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